Vais dizendo que estou louca
Que não me fazes feliz
Mas ao beijar a tua boca
Não é isso que ela diz
E basta dizer meu nome
Como só ela é capaz
Pra matar a minha fome
Dos beijos que não me dás
Talvez, meu amor, talvez
Talvez seja insensatez
Talvez
Talvez que eu esteja enganada
E que, mais mês menos mês,
Um dia, às duas por três,
Tudo isto acabe em nada
Tu não suportas a rede
Que teço para os teus passos
Mas vais matando esta sede
De te enredar nos meus braços
Repetes que ainda é cedo
Para saber o que queremos
E é tarde pra não ter medo
Daquilo que já sabemos
Talvez, meu amor, talvez
Talvez seja insensatez
Talvez
Talvez que tenhas razão
Mas diz-me então os porquês
De dizeres sempre talvez
Em vez de dizeres que não
Eu hei-de te repetir
“Talvez, meu amor, talvez”
Até que te oiça pedir
“Meu amor, fica de vez”
"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre;(…)" (Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego")
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