23 de out de 2010

Foi Deus

Não sei, não sabe ninguém
Porque canto fado, neste tom magoado
De dor e de pranto…
Neste tormento, todo sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus, que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Pôs as estrelas no céu
Fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai…e deu-me esta voz a mim

Se eu canto, não sei porque canto
Misto de ventura, saudade, ternura ou talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando, se tem um desgosto
E o pranto no rosto nos deixa melhor
Foi Deus, que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus, que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Fez o poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu flores à primavera
Ai…e deu-me esta voz a mim

(Alberto Janes)


AMÁLIA RODRIGUES




ANTÓNIO ZAMBUJO




AMÁLIA HOJE

22 de out de 2010

Quarteto em Mim e António Zambujo | Muse + Milonga Carrieguera

PORTEÑO GORRION CON SUEÑO (Cantado)

En los ojos de mi niña,
contracompás de otros llantos,
anda una oscura nostalgia
de cosas que aún no han pasado.

La calle le echo los naipes
de odiar, recontramarcados,
la madre: hilaba Pérezas;
y el padre: arriaba fracasos.

La vieja tristonguería
del blues de los lunfardarios,
dá un qué sé yo a mi María
y otro al lomo de su gato.

(Recitado)

Zaina la voz, la cadera,
la crencha y los pechos zainos,
le van, de furca, en la espalda,
las ganas de veinte machos.

(Cantado)

De renoche, cuando llueve
siempre igual -siempre- en su patio,
le cuentan tangos de hadas
las bocas del subterráneo.

Setenta veces los siete
vientos del Sur, la han alzado;
sólo a mi voz ella entorna
su piel, su rosa y sus años.

María (Cantado)

Porteño Gorrión con Sueño,
vos nunca me alcanzarás.
Soy rosa de un no te quiero,
ya nunca me alcanzarás.

PORTEÑO GORRIÓN CON SUEÑO (Cantado)

Te irás de noche, María
de este cantón porteñato,
con la trenza destrenzada
y el sueño desabrochado.

Y los pardos camioneros
que estivan bronca al mercado
te harán un ramo de grelos
y un coro de navajazos.

Mas allá, en los masalláses
nocheteros y enwhiskados,
dos hippies de barba zurda
la insultarán con milagros.

(Recitado)

Las rubias mandragoneras
de un zodíaco mulato,
le harán trece mordeduras
en las líneas de la mano.

(Cantado)

Y un beso, que era un poco
de azafrán y de desgano,
se sabrá a página entera
como si fuera un asalto!

Setenta veces los siete
asombros le habrán robado,
le quedarán tres: el mío
y los ojos de su gato.

María (Cantado)

Porteño gorrión con Sueño,
ya nunca me alcanzarás...

PORTEÑO GORRION CON SUEÑO (Cantado)

Mi voz, en todas las voces
para siempre sentirás.

(Astor Piazzolla - Horacio Ferre)

María de Buenos Aires Suite

António Zambujo | Amor de Mel, Amor de Fel

Tenho um amor
Que não posso confessar...
Mas posso chorar
Amor pecado, amor de amor,
Amor de mel, amor de flor,
Amor de fel, amor maior,
Amor amado!

Refrão:

Tenho um amor
Amor de dor, amor maior,
Amor chorado em tom menor
Em tom menor, maior o Fado!
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado!

Foi andorinha
Que chegou na Primavera,
Eu era quem era!
Amor pecado, amor de amor,
Amor de mel, amor de flor,
Amor de fel, amor maior,
Amor amado!

Refrão:

Tenho um amor
Amor de dor, amor maior,
Amor chorado em tom menor
Em tom menor, maior o Fado!
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado!

Fado maior
Cantado em tom de menor
Chorando o amor de dor
Dor de um bem e mal amado!

(Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves)

António Zambujo | Nem As Paredes Confesso

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes rogar, podes chorar, podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem eu espero
Se gosto ou não afinal
Isso é comigo
Mesmo que penses que me convences
Nada te digo

(Artur Ribeiro / Francisco Trindade / Max)

13 de out de 2010

11 de out de 2010

Rues de mes souvenirs

Parfums venus d'Afrique me rappellent les temps
D'une douce vie passée auprès de toi
Que reste-t-il de nous maintenant, mon amour ?

Soleil de ton sourire illumine mes pensées
Tes yeux couleur d´ébène m´éclairent de beauté
Quel bonheur de sentir que tu es dans mon cœur
A jamais

Et le rêve d’une nouvelle nuit d´amour
Me hante toutes les nuits, je ne dors que le jour
Aussi loin que tu sois, près de moi n´est-ce pas, mon amour?

Errant dans les rues de mes souvenirs
Boulevard des meilleurs et faubourg des pires
Je passe devant l´impasse de mes désirs
Et voilà l´avenue de notre histoire finie

Errant dans les rues de mes souvenirs
Je vais suivant le chemin de l´instinct
Tout droit vers l´avenue de mon destin
Mais sans toi

(Wilson das Neves / Stephane San Juan)

atualização do post de 08/05/2008


6 de out de 2010

Ivete Sangalo e Rosa Passos | Dunas



Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim

Quem sair do Abaeté
rumo à praia do Flamengo
não de carro mas a pé,
pelas dunas, mato a dentro

há de ver belezas tais
que mal dá pra descrever:
tem orquídeas, gravatás,
água limpa de beber

cavalinhas e teiús,
borboletas e besouros,
tem lagartos verdazuis
e raposas cor de ouro

Sem falar nos passarinhos,
centopéias e lacraus,
nas jibóias e nos ninhos
de urubus e bacuraus

Vejo orquídeas cor de rosas
entre flores amarelas
Dançam cores. Vão-se as horas
entre manchas de aquarela

Desce a tarde. Vem na brisa
um cheirinho de alecrim
Canta um grilo. Sinto a vida:
tudo está dentro de mim.

Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim...

(Rosa Passos - Fernando de Oliveira)

5 de out de 2010

Eu já não sei | António Zambujo e Roberta Sá

Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem

Refrão

(Domingos Gonçalves Costa / Carlos Rocha)

Roberta Sá e António Zambujo | Novo Amor

4 de out de 2010

António Zambujo | Apelo



Ah, meu amor não vás embora
Vê a vida como chora, vê que triste esta canção
Não, eu te peço, não te ausentes
Pois a dor que agora sentes, só se esquece no perdão
Ah, minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa a tristeza que causei
Eu te suplico não destruas tantas coisas que são tuas
Por um mal que eu já paguei

Ah, minha amada, se soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento todo arrependimento
Como tudo entristeceu
Se tu soubesses como é triste
Perceber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus

Ah, meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus

(Baden Powell e Vinicius de Moraes)

António Zambujo | Não me dou longe de ti



Não me dou longe de ti
Nem em sonhos eu consigo
Ter alguém no meio de nós
Só Deus sabe o que pedi
Para tu ficares comigo
E ouvires a sua voz

Só eu sei o que sofri
Quando sonhava contigo
E abria os olhos a sós

Sabes da minha fraqueza
Onde a faca tem dois gumes
Onde me mato por ti
É da tua natureza
Cortar-me o peito em ciúmes
E eu finjo que não morri

Mas é da minha tristeza
Esconder no fado os queixumes
E a cantar entristeci

À noite voltas de chita
Com duas flores no regaço
E tudo o que a Deus pedi
És tão minha, tão bonita
És a primeira que abraço
Aquela em que me perdi

Nem a minha alma acredita
Que me perco no teu passo
Não me dou longe de ti

Assim te quero guardar
Como se mais nada houvesse
Nem futuro, nem passado
De tanto, tanto te amar
Pedi a Deus que trouxesse
O teu corpo no meu fado

(João Monge | Alfredo dos Santos)
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