11 de mai. de 2007

O inverso invertido

Olha: acabou mais uma vez o que nem começou. Ou nem bem foi. Mas houve. Quando a nota mais forte saiu, anúncio louco da morte em ópera, o alívio me tomou. A tristeza estava ali mas coadjuvava quietamente. O vigor era do grito que libertava. O holofote em mim me refez. Até quando eu não sei, mas agora é assim. Tudo reincide... E dor que incide sempre sobre o mesmo ponto há de um dia anestesiar. E não será mais dor, vai ser apenas uma cosquinha, um roçar, uma lembrança não-triste do que é vida.
Quando o vidro quebra ele ainda é lindo. Mas a transparência se perde. Fere mais, corta, sangra. E ainda é misteriosamente lindo.
Eu disse: não. Mas eu não falei: não. Eu quis sentir o não. Ah... e se fosse diferente? E se agora eu ouvisse o “sim”. E se eu ouvisse o “sim” sem perguntar? Se eu quisesse... Mas eu nem perguntei... mas acabou. Eu quis, quero, eu, eu, eu. Eu digo o “não”, eu escrevooooo o “não”. Eu não falo. Eu vou cantar. Depois eu morro. E renasço noutro dia da temporada....

(20/12/2003)

(a.l.k.)

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