4 de fev de 2011

Anseio

É tudo tão muito que é quase nada. Todos tantos. E tantos a escorrerem por entre os dedos, pelo ralo, pela correnteza, pelo sangue que errou de veia e se perdeu, como disse o Chico. Assim, como mil agulhadas, mil abelhas, mil dores, não há cada uma, é tudo uma só, não há como sentir uma, duas, dez, cinquenta, oitocentas e noventa e sete. É uma, amontoada. Dou valor à ilusão e ao que é real, desprezo... não, indiferença. Indifereça é pior que desprezo, indiferença é pior que tudo, ela é sem força, pálida, ela é assim quase não sendo. Não é ódio que grita, nem raiva rascante, nem paixão ébria, nem amor, que é. Se eu disse "sim" setenta e oito vezes e recebi "não" em quarenta e sete delas, isso é mais um sim ou um não? Pesa igual? O sofrimento é proporcional? Queria que fosse. Queria saber sentir assim. Mas não. O possíveis quarenta e sete serão sempre maiores que setenta e oito e grande enorme imensamente maiores que trinta e um. Por que? É, eu não sei. Não sei. Não sei ser. Não sei ser natural(?. Não sei estar sem me ver vendo. Não sei assim sentir, achar que é, fazer ser como deveria: "the greatest thing you ever learn is just to love and be loved in return".

(A.L.K.)

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