Se Cuba não vai ao Papa
É o Papa que vai a Cuba
Quem acha que a vida é dura
Na vida não tem tal praça
Oi, não, se Cuba não vai, é o Papa que vem
Quem pensa que é, não sabe demais
Porque, malandro que é malandro é malandro demais
malandro que é malandro é malandro demais (2x)
malandro que é malandro
Se Cuba não vai ao Papa
É o Papa que vai a Cuba
Quem acha que a vida é dura
Na vida não tem tal praça
Oi, não, se Cuba não vai, é o Papa que vem
Quem pensa que é, não sabe demais
Porque, malandro que é malandro é malandro demais
malandro que é malandro é malandro demais (2x)
malandro que é malandro
Para Xangô, Iemanjá (4x)
Minha vida é o mar
O que da vida posso ter
como a vida deve ser
como o mundo deve ser
como a vida deve ser
com as balizas do nosso sistema
encaminhando seus filhos pra guerra
como a vida deve ser
O que da vida posso ter
como o mundo deve ser
nas as balizas do nosso sistema
encaminhando seus filhos pra guerra
(Solo)
no meio disso tudo eu não me envolvo não me sujo
até um tempo atras eu era um pobre vagabundo
andava pela rua nenhum trocado
ia a pé pra todo lado maltrapido e maltratado
maltrapido e maltratado falido e mau cuidado
quem vai abrir pra mim as portas da Babylonia
Se Cuba não vai ao Papa
É o Papa que vai a Cuba
Quem acha que a vida é dura
Na vida não tem tal praça
Oi, não, se Cuba não vai, é o Papa que vem
Quem pensa que é, não sabe demais
Porque, malandro que é malandro é malandro demais
malandro que é malandro é malandro demais (2x)
malandro que é malandrooo
Para Xangô, Iemanjá (4x)
Se aquilo tudo é o mar
Faça então desfaça
Quem tem fé em Deus se afasta
Não falei mania de Graça
Fala da zica só atrasa
Se Cuba não vai ao Papa
É o Papa que vai a Cuba
Quem acha que a vida é dura
Na vida não tem tal praça
Oi, não, se Cuba não vai, é o Papa que vem
Quem pensa que é, não sabe demais
Porque, malandro que é malandro é malandro demais
malandro que é malandro é malandro demais (2x)
malandro que é malandrooo
Para Xangô, Iemanjá (4x)
4 de jul. de 2010
Feira da Ceilândia (Senzala)
A feira da ceilândia te oferece o que quiser comprar:peixe, sapato, retrato, colar pra te enfeitar,
Cinto da moda ( 4x )
Sinto vontade, grande necessidade de comprar. roupa xadrez, meia longa, bota preta pra arrasar. estilo colegial: brega, veste mal vamos parar.
Mulheres dêem à cor o seu destaque. esbanjem no batom e no esmalte. muita roupa já é coisa de perua. daqui a pouco tem gente andando nua.
A feira da ceilândia te...
Sinto vontade, grande necessidade de dançar. danço o axé, o pagode. o rock vai ter esperar. quarteto, quinteto estrangeiro é o som que vai rolar.
Guarde seu velho cd na estante. agora você vai curtir um funk. lambada som da hora na senzala. melhor dançar agora porque passa.
A feira da ceilândia te...
Sinto vontade, grande necessidade de observar. onda do norte, coisa de nobre. vamos copiar. desde filme titanic à sanduíche ...
Virgindade lá é coisa do passado. "e se voltar à moda o quê que eu faço?!". brasil, não é que há algo que te estrague. mas ”santo de casa não faz milagre”.
A feira da ceilândia te...
Mas o que você precisa mais na feira não se pode encontrar: razão, consciência, senso, inteligência, uma cabeça pra pensar.
Isso só no shopping lá do centro você vai achar
Se tiver dinheiro pra comprar. boa aparência pra entrar. não tenho dinheiro pra comprar.
Hoje eu vou voltar pra feira. pra feira de ceilândia hoje eu vou voltar pra feira. lá tem pastel e tem caldo de cana.
(Ellen Oléria)
Cinto da moda ( 4x )
Sinto vontade, grande necessidade de comprar. roupa xadrez, meia longa, bota preta pra arrasar. estilo colegial: brega, veste mal vamos parar.
Mulheres dêem à cor o seu destaque. esbanjem no batom e no esmalte. muita roupa já é coisa de perua. daqui a pouco tem gente andando nua.
A feira da ceilândia te...
Sinto vontade, grande necessidade de dançar. danço o axé, o pagode. o rock vai ter esperar. quarteto, quinteto estrangeiro é o som que vai rolar.
Guarde seu velho cd na estante. agora você vai curtir um funk. lambada som da hora na senzala. melhor dançar agora porque passa.
A feira da ceilândia te...
Sinto vontade, grande necessidade de observar. onda do norte, coisa de nobre. vamos copiar. desde filme titanic à sanduíche ...
Virgindade lá é coisa do passado. "e se voltar à moda o quê que eu faço?!". brasil, não é que há algo que te estrague. mas ”santo de casa não faz milagre”.
A feira da ceilândia te...
Mas o que você precisa mais na feira não se pode encontrar: razão, consciência, senso, inteligência, uma cabeça pra pensar.
Isso só no shopping lá do centro você vai achar
Se tiver dinheiro pra comprar. boa aparência pra entrar. não tenho dinheiro pra comprar.
Hoje eu vou voltar pra feira. pra feira de ceilândia hoje eu vou voltar pra feira. lá tem pastel e tem caldo de cana.
(Ellen Oléria)
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Só pra constar
Até chego
Passo pela porta da cozinha
Um dia
Hoje entre nós, chão
Mas abra o portão e não
Não some de mim
Só pra constar, amor
Um zero, um nove e um
Pra te contar sem te dizer
Cheirinho de lar, pra embriagar, pra me prender
As novas marcas d´água estou guardando pra você
Espera
Eu vou, eu vou
(Ellen Oléria)
Passo pela porta da cozinha
Um dia
Hoje entre nós, chão
Mas abra o portão e não
Não some de mim
Só pra constar, amor
Um zero, um nove e um
Pra te contar sem te dizer
Cheirinho de lar, pra embriagar, pra me prender
As novas marcas d´água estou guardando pra você
Espera
Eu vou, eu vou
(Ellen Oléria)
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Testando
Alô alô som Teeeeste um, dois, três, testando
Eu, eu não domino a esgrimaa
Mas minha palavra,
a minha palavra, a minha palavra é afiada e contamina
Minha ginga, meu jeito, minha voz que vem do gueto
Minha raça, minha cara, tua cara a tapa, o meu cabelo crespo
Não ponho na chapa, aguenta a minha marra
Teu cartão não me paga
Minha ancestralidade no peito eu não tô te vendendo aaa
Quem bate em minha postura pura malandragem
Mas minha superação foi com muita dificuldade
Não é contanto por contar, não é por vaidade
Mas peito pra encarar a vida louca com coragem
Não é pra qualquer um, minha mãe é minha testemunha
eu preço, zelo, descontentamento
Muita acusação sem inspiração, sem passo e sem pão
é Mãe não se preocupa eu dou meu pulinhos, eu dou meu jeito
Eu sempre me virei e é claro eu precisei de ajuda
conhece a carne fraca? eu sou do tipo carne dura
Tem gente boa no mundo isso eu já sei
Também vi o lado violento dos que não temem a lei
Tanto faz lei divina, tanto faz lei dos homi
Não importa por roupa chique ou dar seu sobrenome
A mulherada já sabe o cotidiano da rua
Anoiteceu sozinha cê não tá segura
Alô alô som Teeeeste um, dois, três, testando
Suor e choro a noite é fria
Pra esses lances ninguém nunca está preparado
Depois de um dia duro meu corpo foi travado
Assalto a mão armada
Levaram um violão, o microfone emprestado
eu chorei, eu chorei
A bandidagem não acompanhou a estereotipia
Três garotos tipo de uns 15 anos
Eu nunca vi na área esses garotos brancos
Duas meninas loiras com boné cor de rosa
Reescrevendo as linhas da conhecida históriaaa
Andando na rua de noite muita gente branca já fugiu de mim
A minha ameaça não carrega bala mas incomoda o meu vizinho
O imaginário dessa gente dita brasileira é torto
Gritei pela minha pele, qual será o meu fim?
Eu não compactuo com esse jogo sujo
Grito mais alto ainda e denuncio esse mundo imundo
A minha voz transcende a minha envergadura
Conhece a carne fraca? eu sou do tipo carne dura
Alô alô som Teeeeste um, dois, três, testando
Tá ficando bom mas vai ficar melhor....
Basalto que emana dos meus poros
Minha consciência é pedra nesse instante
(Ellen Oléria)
Eu, eu não domino a esgrimaa
Mas minha palavra,
a minha palavra, a minha palavra é afiada e contamina
Minha ginga, meu jeito, minha voz que vem do gueto
Minha raça, minha cara, tua cara a tapa, o meu cabelo crespo
Não ponho na chapa, aguenta a minha marra
Teu cartão não me paga
Minha ancestralidade no peito eu não tô te vendendo aaa
Quem bate em minha postura pura malandragem
Mas minha superação foi com muita dificuldade
Não é contanto por contar, não é por vaidade
Mas peito pra encarar a vida louca com coragem
Não é pra qualquer um, minha mãe é minha testemunha
eu preço, zelo, descontentamento
Muita acusação sem inspiração, sem passo e sem pão
é Mãe não se preocupa eu dou meu pulinhos, eu dou meu jeito
Eu sempre me virei e é claro eu precisei de ajuda
conhece a carne fraca? eu sou do tipo carne dura
Tem gente boa no mundo isso eu já sei
Também vi o lado violento dos que não temem a lei
Tanto faz lei divina, tanto faz lei dos homi
Não importa por roupa chique ou dar seu sobrenome
A mulherada já sabe o cotidiano da rua
Anoiteceu sozinha cê não tá segura
Alô alô som Teeeeste um, dois, três, testando
Suor e choro a noite é fria
Pra esses lances ninguém nunca está preparado
Depois de um dia duro meu corpo foi travado
Assalto a mão armada
Levaram um violão, o microfone emprestado
eu chorei, eu chorei
A bandidagem não acompanhou a estereotipia
Três garotos tipo de uns 15 anos
Eu nunca vi na área esses garotos brancos
Duas meninas loiras com boné cor de rosa
Reescrevendo as linhas da conhecida históriaaa
Andando na rua de noite muita gente branca já fugiu de mim
A minha ameaça não carrega bala mas incomoda o meu vizinho
O imaginário dessa gente dita brasileira é torto
Gritei pela minha pele, qual será o meu fim?
Eu não compactuo com esse jogo sujo
Grito mais alto ainda e denuncio esse mundo imundo
A minha voz transcende a minha envergadura
Conhece a carne fraca? eu sou do tipo carne dura
Alô alô som Teeeeste um, dois, três, testando
Tá ficando bom mas vai ficar melhor....
Basalto que emana dos meus poros
Minha consciência é pedra nesse instante
(Ellen Oléria)
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Beijinhos no rosto
A sua bexiga terá que ser removida inteiramente, disse Roberto. E nesses casos prepara-se um lugar para a urina ser armazenada, antes de ser excretada. Uma parte do seu intestino será convertida num pequeno saco, ligado aos ureteres. A urina desse receptáculo será direcionada para uma bolsa colocada em uma abertura na sua parede abdominal. Estou descrevendo esse procedimento em linguagem leiga para que você possa entender. Essa bolsa será oculta pelas suas roupas e terá que ser esvaziada periodicamente. Fui claro?
Foi, respondi acendendo um cigarro.
Gostaria de marcar a cirurgia para logo depois desses exames que estou pedindo. Já lhe falei da relação entre o câncer da bexiga e o fumo?
Não me lembro.
Três em cada cinco casos de câncer na bexiga são ligados ao fumo. Esse vínculo entre o fumo e o câncer da bexiga é especialmente forte entre os homens.
Prometo que vou deixar de fumar.
Este ano, no mundo, ocorrerão cerca de trezentos mil novos casos de câncer de bexiga.
É mesmo?
É o quarto tipo de câncer mais comum e a sétima causa de morte por câncer.
Tive vontade de mandar o Roberto parar de me chatear, mas ele, além de meu médico, era meu amigo.
O câncer de bexiga, ele continuou, pode ocorrer em qualquer idade, mas usualmente atinge pessoas com mais de cinqüenta anos. Você faz cinqüenta anos no mês que vem. É um mês mais velho do que eu.
Estou atrasado para um compromisso, tenho que ir, Roberto.
Não se esqueça de fazer os exames.
Saí correndo. Eu não tinha encontro algum. Queria fumar outro cigarro em paz. E também precisava encontrar alguém que me arranjasse um revólver. Lembrei-me do meu irmão.
Telefonei para ele.
Você ainda tem aquela arma? Tenho. Por quê?
Quer vender?
Não.
Você não tem medo de que um dos teus filhos ache o revólver e dê um tiro na cabeça do outro? Uma coisa assim aconteceu outro dia. Deu no jornal.
Meu revólver está trancado numa gaveta.
O desse infeliz, segundo dizia o jornal, também.
Eu não li nada sobre isso.
Você sempre diz que só lê a manchete do jornal. Isso não dá manchete, acontece todo dia.
E como é que foi?
O menino estava brincando de mocinho e bandido com o irmão e a desgraça aconteceu. Qualquer dia vou ler no jornal que um sobrinho meu matou o outro numa brincadeira.
Deixa de ser agourento.
Vou passar aí hoje à noite.
Chegando na casa do meu irmão ele me disse, olha aqui esta gaveta, você acha que dois pirralhos podem arrombar essa fechadura?
Podem. Como? Quer ver eu arrombar essa merda?
Você é um adulto.
Onde é que está a Helena?
Está no quarto.
Chama ela aqui.
Contei para a mulher dele a tal notícia do jornal, que eu inventara.
Vivo pedindo ao Carlos para se livrar dessa porcaria, mas ele não me ouve, disse Helena.
Eu vim aqui para comprar o revólver, mas esse idiota não quer vender.
O que você vai fazer com o revólver?, perguntou Carlos.
Nada. Possuí-lo, apenas. Eu sempre quis ter um revólver.
Helena e o meu irmão discutiram algum tempo. Ela venceu o debate ao dizer que um dos meninos podia pegar o chaveiro quando meu irmão estivesse dormindo, ou quando ele esquecesse o chaveiro num lugar onde os moleques pudessem achar, ou em outra ocasião qualquer. Afinal, Carlos abriu a gaveta e tirou o revólver.
E você, para piorar as coisas, mantém esse troço carregado, eu disse, depois de examinar a arma.
Maluco irresponsável, disse Helena, furiosa, você sempre me disse que o revólver não tinha balas. Olha, deixa o seu irmão levar essa porcaria com ele, agora. Do contrário eu saio de casa e levo as crianças.
Peguei o revólver e fui para o meu apartamento. Telefonei para a minha namorada. Senti vontade de ir ao banheiro mas sabia que ia ver sinais de sangue na urina, o que sempre me dava calafrios. Isso podia atrapalhar o meu encontro. Urinei de olhos fechados e também de olhos fechados acionei a válvula de descarga várias vezes.
Enquanto esperava minha namorada, fiquei pensando no futuro, fumando e tomando uísque. Eu não ia ficar a vida inteira enchendo com xixi uma bolsa colada no corpo, que depois tinha que ser esvaziada, sei lá de que maneira. Como eu poderia ir à praia? Como poderia fazer amor com uma mulher? Imaginei o horror que ela sentiria ao ver aquela coisa.
Minha namorada chegou e fomos para a cama.
Você está preocupado com alguma coisa, ela disse, depois de algum tempo.
Não estou me sentindo bem.
Não se preocupe, querido, podemos ficar apenas conversando, adoro conversar com você.
Essa é uma das piores frases que um homem pode ouvir quando está nu com uma mulher nua na cama.
Levantamos e nos vestimos sem olhar um para o outro. Fomos para a sala. Conversamos um pouco. Minha namorada olhou para o relógio, disse tenho que ir, querido, me deu uns beijinhos no rosto, foi embora e eu dei um tiro no peito.
Mas esta história não termina aqui..Eu devia ter atirado na cabeça, mas foi no peito e não morri. Durante a convalescença, Roberto me visitou várias vezes para dizer que tínhamos pouco tempo, mas ainda podíamos fazer a cirurgia da bexiga, com êxito.
Isso foi feito. Agora eu esvazio com facilidade a bolsa de urina. Ela fica bem escondida sob a roupa, ninguém percebe que está ali, sobre o meu abdome. O câncer parece que foi extirpado. Não tenho mais namorada e estou viciado em palavras cruzadas. Deixei de ir à praia. Fui uma vez, para jogar o revólver no mar.
(Rubem Fonseca. Secreções, excreções e desatinos, Companhia das Letras - São Paulo, 2001, p. 59)
Foi, respondi acendendo um cigarro.
Gostaria de marcar a cirurgia para logo depois desses exames que estou pedindo. Já lhe falei da relação entre o câncer da bexiga e o fumo?
Não me lembro.
Três em cada cinco casos de câncer na bexiga são ligados ao fumo. Esse vínculo entre o fumo e o câncer da bexiga é especialmente forte entre os homens.
Prometo que vou deixar de fumar.
Este ano, no mundo, ocorrerão cerca de trezentos mil novos casos de câncer de bexiga.
É mesmo?
É o quarto tipo de câncer mais comum e a sétima causa de morte por câncer.
Tive vontade de mandar o Roberto parar de me chatear, mas ele, além de meu médico, era meu amigo.
O câncer de bexiga, ele continuou, pode ocorrer em qualquer idade, mas usualmente atinge pessoas com mais de cinqüenta anos. Você faz cinqüenta anos no mês que vem. É um mês mais velho do que eu.
Estou atrasado para um compromisso, tenho que ir, Roberto.
Não se esqueça de fazer os exames.
Saí correndo. Eu não tinha encontro algum. Queria fumar outro cigarro em paz. E também precisava encontrar alguém que me arranjasse um revólver. Lembrei-me do meu irmão.
Telefonei para ele.
Você ainda tem aquela arma? Tenho. Por quê?
Quer vender?
Não.
Você não tem medo de que um dos teus filhos ache o revólver e dê um tiro na cabeça do outro? Uma coisa assim aconteceu outro dia. Deu no jornal.
Meu revólver está trancado numa gaveta.
O desse infeliz, segundo dizia o jornal, também.
Eu não li nada sobre isso.
Você sempre diz que só lê a manchete do jornal. Isso não dá manchete, acontece todo dia.
E como é que foi?
O menino estava brincando de mocinho e bandido com o irmão e a desgraça aconteceu. Qualquer dia vou ler no jornal que um sobrinho meu matou o outro numa brincadeira.
Deixa de ser agourento.
Vou passar aí hoje à noite.
Chegando na casa do meu irmão ele me disse, olha aqui esta gaveta, você acha que dois pirralhos podem arrombar essa fechadura?
Podem. Como? Quer ver eu arrombar essa merda?
Você é um adulto.
Onde é que está a Helena?
Está no quarto.
Chama ela aqui.
Contei para a mulher dele a tal notícia do jornal, que eu inventara.
Vivo pedindo ao Carlos para se livrar dessa porcaria, mas ele não me ouve, disse Helena.
Eu vim aqui para comprar o revólver, mas esse idiota não quer vender.
O que você vai fazer com o revólver?, perguntou Carlos.
Nada. Possuí-lo, apenas. Eu sempre quis ter um revólver.
Helena e o meu irmão discutiram algum tempo. Ela venceu o debate ao dizer que um dos meninos podia pegar o chaveiro quando meu irmão estivesse dormindo, ou quando ele esquecesse o chaveiro num lugar onde os moleques pudessem achar, ou em outra ocasião qualquer. Afinal, Carlos abriu a gaveta e tirou o revólver.
E você, para piorar as coisas, mantém esse troço carregado, eu disse, depois de examinar a arma.
Maluco irresponsável, disse Helena, furiosa, você sempre me disse que o revólver não tinha balas. Olha, deixa o seu irmão levar essa porcaria com ele, agora. Do contrário eu saio de casa e levo as crianças.
Peguei o revólver e fui para o meu apartamento. Telefonei para a minha namorada. Senti vontade de ir ao banheiro mas sabia que ia ver sinais de sangue na urina, o que sempre me dava calafrios. Isso podia atrapalhar o meu encontro. Urinei de olhos fechados e também de olhos fechados acionei a válvula de descarga várias vezes.
Enquanto esperava minha namorada, fiquei pensando no futuro, fumando e tomando uísque. Eu não ia ficar a vida inteira enchendo com xixi uma bolsa colada no corpo, que depois tinha que ser esvaziada, sei lá de que maneira. Como eu poderia ir à praia? Como poderia fazer amor com uma mulher? Imaginei o horror que ela sentiria ao ver aquela coisa.
Minha namorada chegou e fomos para a cama.
Você está preocupado com alguma coisa, ela disse, depois de algum tempo.
Não estou me sentindo bem.
Não se preocupe, querido, podemos ficar apenas conversando, adoro conversar com você.
Essa é uma das piores frases que um homem pode ouvir quando está nu com uma mulher nua na cama.
Levantamos e nos vestimos sem olhar um para o outro. Fomos para a sala. Conversamos um pouco. Minha namorada olhou para o relógio, disse tenho que ir, querido, me deu uns beijinhos no rosto, foi embora e eu dei um tiro no peito.
Mas esta história não termina aqui..Eu devia ter atirado na cabeça, mas foi no peito e não morri. Durante a convalescença, Roberto me visitou várias vezes para dizer que tínhamos pouco tempo, mas ainda podíamos fazer a cirurgia da bexiga, com êxito.
Isso foi feito. Agora eu esvazio com facilidade a bolsa de urina. Ela fica bem escondida sob a roupa, ninguém percebe que está ali, sobre o meu abdome. O câncer parece que foi extirpado. Não tenho mais namorada e estou viciado em palavras cruzadas. Deixei de ir à praia. Fui uma vez, para jogar o revólver no mar.
(Rubem Fonseca. Secreções, excreções e desatinos, Companhia das Letras - São Paulo, 2001, p. 59)
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Preciso dizer que te amo
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto
Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira
Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto
(Bebel Gilberto / Cazuza / Dé)
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto
Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira
Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto
(Bebel Gilberto / Cazuza / Dé)
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Ainda é cedo
Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
(Ico-Ouro Preto / Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
(Ico-Ouro Preto / Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)
24 de jun. de 2010
Tim Maia - Telefone
- Alô
- Alô
- Quem fala ?
- Sou eu, amor. Você não se lembra mais da minha voz ?
- Mas essa hora da manhã ?
- Ah, eu queria tanto te ver
- Às quatro horas da manhã ?
- Ah, eu não consigo dormir, eu preciso te ver
Eu bem que te avisei
Pra não levar a sério
O nosso caso de amor.
Eu sempre fui sincero e você sabe muito bem.
Eu bem que te avisei pra não levar a sério
O nosso caso de amor
Eu sempre fui sincero e você sabe muito bem.
Eu não te prometi nada.
Não venha me cobrar por esse amor,
Pois esse sentimento eu não tenho pra te dar
Sinto muito em te dizer, vê se tenta esquecer.
Os momentos que passamos que juntinhos nos amamos
Leve um beijo e adeus.
(Nelson Kaê / Beto Correa)
Tim Maia - Sofre
É engraçado
A gente ama, troca juras de amor,
promete nunca se separar.
A gente deposita uma confiança
tão grande na pessoa amada,
que jamais você poderia imaginar
que a pessoa que você quer tanto
esteja lhe traindo de uma maneira
tão fria e suja.
A dor que você sente é tanta,
que às vezes você deseja até morrer.
E desta dor nasce um ódio, um rancor,
uma espécie de vingança,
que eu agora vou cantar.
Não vou mais chorar,
mas se eu chorar
vai ser baixinho pra ninguém me ver
O quanto eu sofro, pois amei você.
E vou seguir meu caminho triste
Como antes de te conhecer
Porem marcado, humilhado, magoado.
Pode ver.
Você foi mulher
Se isso é ser mulher
Está enganada, pois não é não.
Isto foi pura podridão
Se valeu do sentimento puro
e belo que eu tinha por você
para fazer as suas crueldades e maldades
Sem perdão.
Agora Sofre
Sofre
Todo mal que cê me fez
Você bem cedo irá pagar!
Disse a todo mundo eu que era o mal
E, no entanto foi você quem riu.
E quem me fez penar!
Agora Sofre
Sofre
Todo mal que cê me fez
Você bem cedo ira pagar!
(Tim Maia)
22 de jun. de 2010
Zizi Possi - Dedicado a Você
Vem,
Se eu tiver você no meu prazer
Se pudesse ficar com você
Todo o momento, em qualquer lugar
Ah!
Se no desejo você fosse o amor
Durante o frio fosse o calor
Na minha lua, você fosse o mar
Vem, meu coração se enfeitou de céu
Se embebedou na luz do teu olhar
Queria tanto ter você aqui!
Ah! Se teu amor fosse igual ao meu
Minha paixão ia brilhar, e eu
Completamente ia ser feliz!
(Dominguinhos - Nando Cordel)
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Zizi Possi
Zizi Possi - Contrato de Separação
Olha, essa saudade
Que maltrata o meu peito
É ilusão
E por ser ilusão é mais difícil de apagar
Ela vai me consumindo lentamente
Ela brinca com meu peito
E leva sempre a melhor
Eu quis fazer com ela um contrato de separação
Negou-se, então, a aceitar
Sorrindo da minha ilusão
Só tem um jeito agora
É tentar de vez me libertar
Brigar com a lembrança
Pra não mais lembrar
(Dominguinhos - Anastácia)
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20 de jun. de 2010
A descoberta do mundo
O que eu quero contar é tão delicado quanto a própria vida. Eu quereria poder usar a delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesma, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria minha ignorância um modo de me manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube de coisas que nem eu mesma sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive, contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que passados os treze anos, como se só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia antes fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo de me esclarecer o mistério da vida. Só que também ela era uma menina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? mas para quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizantes – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca iria me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo até hoje surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.
(Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Rocco, 1999. p. 113-115)
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesma, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria minha ignorância um modo de me manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube de coisas que nem eu mesma sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive, contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que passados os treze anos, como se só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia antes fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo de me esclarecer o mistério da vida. Só que também ela era uma menina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? mas para quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizantes – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca iria me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo até hoje surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.
(Clarice Lispector. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Rocco, 1999. p. 113-115)
13 de jun. de 2010
Jorge Ben Jor e Mano Brown | Umbabarauma
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Joga bola, joga bola
Corocondô
Joga bola, joga bola
Jogador
Pula, pula, cai, levanta
Sobe, dece, corre, chuta
Abra espaço
Vibra e agradece
Olha que a cidade
Toda ficou vazia
Nessa tarde bonita
Só pra te ver jogar
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Joga bola jogador
joga bola corocondô
Joga bola jogador
joga bola corocondô
Rere, rere, rere jogador
Rere, rere, rere corocondô
Rere, rere, rere jogador
Rere, rere, rere corocondô
Tererê, tererê, tererê, tererê
Tererê homem gol
Tererê, tererê, tererê, tererê
Tererê homem gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Umbabarauma homem-gol
Essa é a história de Umbabarauma
Um ponta de lance africando
Um ponte de lance decidido
Umbabarauma
Ponta de lança africano
(Jorge Ben Jor)
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