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12 de dez. de 2009

Moyseis Marques - Programa Andante







Nomes de favela

O galo já não canta mais no Cantagalo
A água já não corre mais na Cachoeirinha
Menino não pega mais manga na Mangueira
E agora que cidade grande é a Rocinha!
Ninguém faz mais jura de amor no Juramento
Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus
Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres
E a vida é um inferno na Cidade de Deus
Não sou do tempo das armas
Por isso ainda prefiro
Ouvir um verso de samba
Do que escutar som de tiro
Pela poesia dos nomes de favela
A vida por lá já foi mais bela
Já foi bem melhor de se morar
Mas hoje essa mesma poesia pede ajuda
Ou lá na favela a vida muda
Ou todos os nomes vão mudar

(Paulo César Pinheiro)

Disritmia

Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Prá fugir do mundo
Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos
Preciso transfundir
Seu sangue
Pro meu coração
Que é tão vagabundo...
Me deixe
Te trazer num dengo
Prá num cafuné
Fazer os meus apelos...

Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Dos seus olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Prá acabar de vez
Com essa disritmia...

Vem logo
Vem curar teu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia...

Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Dos seus olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Prá acabar de vez
Com essa disritmia...

Vem logo
Vem curar seu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia...(6x)
Me deixe hipnotizado
Prá acabar de vez
Com essa disritmia...
Me deixe hipnotizado
Prá acabar de vez!

(Martinho da Vila)

Molambo

Eu sei que vocês vão dizer
Que é tudo mentira
Que não pode ser
E que depois de tudo
Que ele me vez
Eu jamais deveria aceitá-lo outra vez
Bem sei que assim procedendo
Me exponho ao desprezo de todos vocês
Lamento, mas fiquem sabendo
Que ele voltou e comigo ficou

Ficou pra matar a saudade
A tremenda saudade
Que não me deixou
Não me deu sossego momento sequer
Desde o dia em que ele me abandonou
Ficou pra impedir que a loucura
Fizesse de mim um molambo qualquer
Ficou desta vez para sempre
Se Deus quiser!

(Jayme Florence/Augusto Mesquita)


Amendoim torradinho

Meu bem...
Este teu corpo parece
Do jeito que ele me aquece
Amendoim torradinho
E a gente
Nestes teus braços esquece
Do ponteirinho que desce só
Prá impedir teus carinhos
Eu sinto uma vontade louca
De gritar pela rua
Que eu já colei minha boca na boca que é tua
E de gritar ao teu ouvido lá dentro bem fundo
Que não existe no mundo um amor mais profundo
Que o amor bem vagabundo
Que vem lá do meu bem...
Mas meu... meu bem
Este teu corpo parece
Do jeito que ele me aquece
Amendoim torradinho

(Henrique Beltrão)




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