Espelhos Cristais Vidros cortantes me cercam Vidros tenazes e blindados também E eu me desfacelo contra eles Escorro por sobre eles como densa chuva vermelha. Cravejados na pele os cristais que brilham preciosos Nos espelhos estilhaçados Sou muitos e todos e vários Diferentes e infinitos.
Estrada branca Lua branca Noite alta Tua falta caminhando Caminhando, caminhando Ao lado meu Uma saudade Uma vontade Tão doída De uma vida Vida que morreu
Estrada, passarada Noite clara Meu caminho é tão sozinho Tão sozinho A percorrer Que mesmo andando Para a frente Olhando a lua tristemente Quanto mais ando Mais estou perto De você
Se em vez de noite Fosse dia O sol brilhasse E a poesia Em vez de triste Fosse alegre De partir Se em vez de eu ver Só minha sombra Nessa estrada Eu visse ao longo Dessa estrada Uma outra sombra A me seguir
Mas a verdade É que a cidade Ficou longe, ficou longe Na cidade Se deixou meu bem-querer Eu vou sozinho sem carinho Vou caminhando meu caminho Vou caminhando com vontade de morrer
Mais do mesmo. Nem é criativo. Nem quero sê-lo. Quero me expressar. Mas penso. E busco. E quero atrelada a cada palavra uma iluminação. No túnel escuro por onde passa aquilo que chamo vida se espremem andam sensações e desejos e nuncas. Há sempre uma impossibilidade sobre mim. Uma rarefeita névoa sobre os meus desejos e sobre os meus movimentos uma densa e glacial neblina. Eu me perco. Labirinto. Eu me perco. Labirito. Eu vou não. Eu despiso. Desando. Desfaleço estátua. Inerte. Mas com coração. E assim a bruma depositada sobre a pele fria se confunde com as àguas quentes tristes do de dentro.
Pra dor de amor, eu não faço sala Amor me deixa, outro amor me embala Eu sou um coco que seu ralador não rala A tristeza quando chega Se deixar, ela se instala Se ela vê peito vazio Quer fazer festa de gala, ê Mas comigo não tem jeito Ela nem desfaz a mala Que um amor quando me deixa, sinhô Tem outro em ponto de bala A tristeza a gente sente Quando o seu chicote estala Se ela vê sinal de pranto Lambe o beiço e se regala Mas meu peito não se curva À bota, tacão, bengala Meu amor que é de quilombo (iáiá, kekerê, iê, iê) Não se prende em dor de senzala
Em caso de dor ponha gelo Mude o corte de cabelo Mude como modelo Vá ao cinema dê um sorriso Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo Se amargo foi já ter sido Troque já esse vestido Troque o padrão do tecido Saia do sério deixe os critérios Siga todos os sentidos Faça fazer sentido A cada mil lágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa Coma só a sobremesa coma somente a cereja Jogue para cima faça cena Cante as rimas de um poema Sofra penas viva apenas Sendo só fissura ou loucura Quem sabe casando cura Ninguém sabe o que procura Faça uma novena reze um terço Caia fora do contexto invente seu endereço A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal Chorar for inevitável Sinta o gosto do sal do sal do sal Sinta o gosto do sal Gota a gota, uma a uma Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre A cada mil lágrimas sai um milagre
É noite agora. Noite de verdade. O céu é opaco e profundamente azul, escuro, quase negro. Cintilam poucas luzes de dentro dele. Há bem mais luz ao redor. Mas não em mim. Há o vento. Se só ele existisse e mais nada eu seria também feliz. Quem sabe. Se ele soprasse em círculos, com rajadas alternadas de frescor e de escaldante torpor. De qualquer forma que ele me atingisse, eu iria. Eu voava. Voaria com ele para além. Se eu pulasse ele me ergueria? Se me jogasse todo em seus braços, o vento seria reconfortante berço?
No topo da árvore Na copa mais densa Na folhagem mais verde Há o repouso mais calmo Perfumado pelos ventos. Ora silente, Ora inundado de delicados sons. Assustadores sons: O vento forte. A ramagem, Os rugidos. Os pios estertorosos. O orvalho por sobre as folhas É o suor que brota da fronte angustiada. Do temor da escuridão gotejam Suores e lágrimas. E de cima da árvore tudo é abismo.
Em 1984, foi ao ar pela TV Manchete uma série de programas musicais chamada "A Música Segundo Tom Jobim". Com direção de Nelson Pereira dos Santos, o programa era gravado na casa do maestro, no Jardim Botânico, no Rio, com a participação de convidados recebidos muito à vontade por ele e seu piano.
No primeiro programa da série, Tom e Gal Costa, em companhia de Dori e Danilo Caymmi, fizeram uma homenagem a Ary Barroso, contando histórias e lembrando de algumas canções do grande compositor brasileiro.
Aparecem no vídeo: "Pra Machucar Meu Coração", "Faceira", "Canta Brasil" (Alcir Pires Vermelho), "Tema de Amor Por Gabriela" (Tom Jobim) e "Aquarela do Brasil".
Samba, ó samba Tem a sua primazia Em gozar de felicidade Samba, meu samba Presta esta homenagem Aos heróis da liberdade
Passava noite, vinha dia O sangue do negro corria Dia a dia De lamento em lamento De agonia em agonia Ele pedia o fim da tirania Lá em Vila Rica Junto ao largo da Bica Local da opressão A fiel maçonaria, com sabedoria Deu sua decisão Com flores e alegria Veio a abolição A independência Laureando O seu brasão Ao longe soldados e tambores Alunos e professores Acompanhados de clarim Cantavam assim Já raiou a liberdade A liberdade já raiou Essa brisa que a juventude afaga Essa chama Que o ódio não apaga pelo universo É a evolução em sua legítima razão
Samba, ó samba Tem a sua primazia Em gozar de felicidade Samba, meu samba Presta esta homenagem Aos heróis da liberdade
"Quem és? Perguntei ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada."
"Para onde vão os trens, meu pai? Para Mahal, Tami, para Camiri, espaços no mapa, e depois o pai ria: também para lugar nenhum, meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti"
Pelo o que me diz respeito Eu sou feito de dúvidas O que é torto, o que é direito diante da vida? O que é tido como certo, duvido Sou fraco, safado, sofrido E não minto pra mim
Vou montado no meu medo E mesmo que eu caia Sou cobaia de mim mesmo No amor e na raiva
Vira e mexe me complico Reciclo, tô farto, tô forte, tô vivo E só morro no fim
Lá do alto do telhado pula quem quiser Só o gato que é gaiato cai de pé
E pra quem anda nos trilhos: cuidado com o trem Eu por mim já descarrilho E não atendo a ninguém Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo E mergulha com tudo pra dentro de si
E se a gente coincidisse Num sonho qualquer Eu contigo, tu comigo Os dois, homem e mulher Sendo a soma e tendo a chance de ser Um par de pessoas na boa Vivendo felizes.
Sit, good dog, stay, bad dog, down, roll over Well here's a good man and a pretty young girl Trying to play together somehow, I'm wasting my life, you're changing the world, I get drunk and watch your head grow
It's the good times that we share and the bad times that we'll have It's the good times and the bad times that we had
Well it's been a long slow collision, I'm a pitbull, you're a dog, Baby you're foul in clear conditions But you're handsome in the fog
So I need some fine wine, and you, you need to be nicer For the good times and the bad times That we'll have
Sometimes we talk over dinner like old friends Till I go and kill the bottle, I go off over any old thing, Break your heart and raise a glass or ten
To the good times that we shared and the bad times that we'll have To the good times and the bad time that we've had
Well it's been a long slow collision, I'm a pitbull, you're a dog, Baby you're foul in clear conditions But you're handsome in the fog
So I need some fine wine and you, you need to be nicer For the good times and the bad times we know will come Yeah I need some fine wine and you, you need to be nicer you need to be nicer you need
For the good times and the bad time that we had Sit
Good times, bad times Sweet wine, bad wine Good cop, bad cop, Lapdog, bad dog Sit.
"...tenho amor para dar, só não sei onde colocá-lo..."
Aimee Mann's 'Wise Up'
It's not What you thought When you first began it You got What you want Now you can hardly stand it though, By now you know It's not going to stop It's not going to stop It's not going to stop 'Til you wise up
You're sure There's a cure And you have finally found it You think One drink Will shrink you 'til you're underground And living down But it's not going to stop It's not going to stop It's not going to stop 'Til you wise up
Prepare a list of what you need Before you sign away the deed 'Cause it's not going to stop It's not going to stop It's not going to stop 'Til you wise up No, it's not going to stop 'Til you wise up No, it's not going to stop So just...give up
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Não é o que você pensou Quando você começou isso Você conseguiu o que queria Agora você mal consegue suportar, embora Agora você saiba, isso não vai parar Isso não vai parar Isso não vai parar Até você se tocar
Você está certo de que existe uma cura E que você finalmente encontrou ela. Você pensa que um drinque Vai encolher você, até você quase desaparecer E estar no chão, mas isso não vai parar Isso não vai parar Isso não vai parar Até você se tocar
Prepare uma lista do que você precisa Antes que a morte venha te buscar Porque isso não vai parar Isso não vai parar Isso não vai parar Até você se tocar
Não, isso não vai parar Até você se tocar Não, isso não vai parar Então simplesmente desista
"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre;(…)" (Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego")