8 de mai. de 2009

Segredo



Teu mal é comentar o passado
Ninguém precisa saber
O que houve entre nós dois
O peixe é pro fundo da rede
Segredo pra quatro paredes
Não deixe que males pequeninos
Venham transtornar os nossos destinos

Quando o infortúnio nos bate à porta
E o amos nos foge pela janela
A felicidade para nós está morta
E não se pode viver sem ela

Para o nosso mal
Não há remédio, coração
Ninguém tem culpa da nossa desunião

(Herivelto Martins / Marino Pinto)

5 de mai. de 2009

Estopim

nada é tão fácil no início
nem no percurso nem no fim
nada é tão natural
nada é tão trivial
nem uma flor
nem todo jardim

amor que é simples se complica
e todo amor vai ficando assim
um faz algum sinal
o outro já interpreta mal
e o que era banal
vira um estopim

sim
detonou
foi um caos
nosso amor
ia bem
não tão bem
mas enfim
bem normal
complicou quando eu comentei
que era tão triste o seu olhar
"meu olhar, como assim?
a tristeza vem de você pra mim
a tristeza de um olhar
vem do outro olhar
vem de tanto olhar"
como assim?
"pelo olhar
pode haver um motim"
não entendi
mas senti
que era o fim

(Dante Ozzetti/Luiz Tatit)

Toque de reunir

toca sua vida
como quem pode
como quem nasce hábil
e não se ilude
que tem que se defender
toca na banda
tudo que pinta
toca atabaque
toca trombone
flauta, guitarra
e o que cair na mão
vai a um encontro
tenta um contato
toca um no outro
sente afeição
toca no assunto
toca no ponto
toca bem fundo
toca no coração
alguém tem que entender
toque de recolher
em silêncio

troca de vida
como quem sabe
como que já se toca
que não da outra
que a hora é de decidir
troca de banda
troca de estilo
troca de roupa
troca de imagem
tudo o que tinha
quer substituir
troca de ritmo
troca de signo
troca o destino
que quer seguir
troca de tema
troca a figura
troca o fundo
diz pra quem quer ouvir
alguém tem que sentir
toque de reunir
simplesmente

(Ná Ozzetti e Luiz Tatit)

Jóia

Beira de mar
Beira de mar
Beira de mar na América do Sul
Um selvagem levanta o braço
Abre a mão e tira um caju
Um momento de grande amor
De grande amor

Copacabana
Copacabana
Louca total e completamente louca
A menina muito contente
Toca a coca-cola na boca
Um momento de puro amor
De puro amor

(Caetano Veloso)

Errática

Nesta melodia em que me perco
Quem sabe, talvez um dia
Ainda te encontre minha musa
Confusa

Esta estrada me escorre do peito
E tão sem jeito
Se desenha entre as estrelas da galáxia
Em fúcsia...

Bússolas não há na cor dos versos
Usam como senha tons perversos
Busco a trilha certa, matematicamente
Só sei brincar de cabra-cega
Errática
Chega

Neste descaminho, meu caminho
Te percorre a ausência
Corpo, alma, tudo, nada, musa
Difusa.

O sorriso do gato de Alice se se visse
Não seria menos ou mais intocável
Que o teu, véu
Pausa de fração de semifusa
Pode conter tão grande tristeza

Busco o estilo exato
A tática eficaz
Do rock ao jazz
Do lied ao samba
Ao brega
Errática
Chega

(Caetano Veloso)

4 de mai. de 2009

Você não sabe amar

Você não sabe amar meu bem
Não sabe o que é o amor
Nunca sofreu, nunca viveu
E quer saber mais que eu

O nosso amor parou aqui
E foi melhor assim
Eu esperava e você também
Que fosse esse o seu fim

O nosso amor não teve querida
As coisas boas da vida
E foi melhor para você
E foi também melhor pra mim

O nosso amor parou aqui
E foi melhor assim
Eu esperava e você também
Que fosse esse o seu fim

(Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima)

30 de abr. de 2009

Mais um adeus

Mais um adeus
Uma separação
Outra vez, solidão
Outra vez, sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno
Não tome gelado
O gim é um veneno
Cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento
Não é como eu:
Não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

(Vinicius de Moraes / Toquinho)

28 de abr. de 2009

Aviso aos navegantes

Esse ano vai sobrar um
Quem falou já morreu
Quem sabe dele sou eu
A vida quem dá é Deus

Esse ano vai sobrar um
Quem falou já morreu
Quem sabe dele sou eu
A vida quem dá é Deus

Quem é malandro não dá
Vidinha boa a ninguém
Malandro traz no cantar
A pinta que o canto tem
Briga com quem sabe mais
Não dá camisa a ninguém
Olha, aqui você faz
Aqui mesmo vai entrar bem

Esse ano vai sobrar um
Quem falou já morreu
Quem sabe dele sou eu
A vida quem dá é Deus

Esse ano vai sobrar um
Quem falou já morreu
Quem sabe dele sou eu
A vida quem dá é Deus

Quem é malandro não dá
Vidinha boa a ninguém
Malandro traz no cantar
A pinta que o canto tem
Briga com quem sabe mais
Não dá camisa a ninguém
Olha, aqui você faz
Aqui mesmo vai entrar bem

Vai sobrar um
Falou, morreu
Sabe dele sou eu
Vida quem dá é Deus.

(Baden Powell - Paulo César Pinheiro)

26 de abr. de 2009

Joana francesa

Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise

Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

(Chico Buarque)

Gabriela

Vim do Norte, vim de longe
De um lugar que já não há
Vim dormindo pela estrada
Vim parar neste lugar

Meu cheiro é de cravo
Minha cor de canela
A minha bandeira
É verde amarela

Pimenta de cheiro
Cebola em rodela
Um beijo na boca
Feijão na panela

Sempre Gabriela

Passei um café inda escuro
E logo me puz a caminho
Eu quero rever Gabriela
De novo provar seu cheirinho

Manhã bem cedinho na mata
O sol derramou seu carinho
Um brilho na folha da jaca
Pensei em rever meu benzinho

Se ainda sobrasse um dinheiro
Podia comprar-te um vestido
E mais um vidrinho de cheiro
Contar-te um segredo no ouvido

Te trouxe um anel verdadeiro
Sonhei que era teu preferido
Pensei, repensei tanta coisa
Ah, me deixa ser teu marido
Pensei, repensei tanta coisa
Queria casar-me contigo

Todos os dias esta saudade
Felicidade cadê você
Já não consigo viver sem ela
Eu vim à cidade pra ver Gabriela

Tenho pensado muito na vida
Volta bandida mata esta dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdôo com raiva e amor

Chega mais perto moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol

Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval

Casa de sombra, vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor

Em niote sem lua, pulei a cancela
Caí do cavalo, perdi Gabriela
Oh, lua de cera, oh, lua singela
Lua feiticeira, cadê Gabriela

(Antonio Carlos Jobim)

Mãe

Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visses, não
Imensa solidão

Eu sou um rei que não tem fim
E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração

Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarras, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor

Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais, nem vou

Meninos, ondas, becos, mãe
E, só porque não estás
És para mim e nada mais
Na boca das manhãs

Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
E nunca chego a ti

(Caetano Veloso)

update: 08/05/09

com

GAL COSTA

Flor do cerrado

Todo fim de ano é fim de mundo e todo fim de mundo é tudo que já está no ar
Tudo que já está
Todo ano é bom todo mundo é fim
Você tem amor em mim

Todo mundo sabe e você sabe que a cidade vai sumir por debaixo do mar
É a cidade que vai avançar
E não o mar
Você não vê
Mas da próxima vez que eu for a Brasília eu trago uma flor do cerrado pra você

Tem que ter um jeito e vai dar certo e Zé me disse que ninguém vai precisar morrer
Para ser
Para tudo ser
Eu, você

Todo fim de mundo é fim de nada é madrugada e ninguém tem mesmo nada a perder
Eu quero ver
Olho pra você
Tudo vai nascer
Mas da próxima vez que eu for a Brasília eu trago uma flor do cerrado pra você

(Caetano Veloso)


20 de abr. de 2009

Nosso amor

se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)

só sonhei com você
pois não pude evitar
(temos que sonhar)

se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)

se aceitei seu amor
aceitei sem pensar
(não sei recusar)

se ainda estou com você
inda estou por estar

nosso amor afinal
não tem nada de especial

não é paixão não é fatal
não é assim essencial

nem é só sentimento
circunstancial

não é tanta coisa
mas é tão legal!

infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)

e me vê com você
vendo o tempo passar
(é só o que verá)

sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)

eu por mim tudo bem
deixo assim como está

nosso amor se tornou
uma história singular

é só calor e se calar
é só compor sem cantar

nosso amor se espreguiça
só quer vadiar

vai passando os dias
sem se entediar

uma das dúvidas típicas
que ficam no ar:

como que um amor
que não quer nada
pode continuar?

nosso amor
não cansa de durar
sempre foi assim
sempre será

não se pode esperar muito disso
mas também por que esperar?

se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)

se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)

infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)

sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)

(Dante Ozzetti/Luiz Tatit)

Você se foi

você se foi
nem me preparou
foi para o Rio
no mar ficou
mas deixa estar
hás de voltar
então verás
o que deixastes pra traz
meu amor, minhas canções
meu jazz

você partiu
nem me acordou
estava frio
nem me beijou
foi tão ruim
pobre de mim
fiquei assim
como quem quer se matar
dia após dia
foi só chorar

quando alguém abandona outro alguém
devia ao menos dizer, vou de trem
adeus meu bem e passe bem

mas não faz mal
isso é sempre igual
sempre banal
é sempre sal
uma paixão
a solidão
uma ilusão
no coração do trouxa
nasce sempre uma flor
bem roxa

também não vou
sofrer demais
mais que o normal
não vou, não vou
se quer saber
se for voltar
não estarei
a te esperar nunca mais
minha razão quer pensar
em paz

(Ná Ozzetti/Itamar Assumpção)

Capitu

De um lado vem você com seu jeitinho
Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom

De outro esse seu site petulante
WWW
Ponto
Poderosa ponto com

É esse o seu modo de ser ambíguo
Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar

Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante

Um método de agir que é tão astuto
Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular

Capitu
A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu

No site o seu poder provoca o ócio, o ócio
Um passo para o vício, vício, vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar

Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu

(Luiz Tatit)
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