31 de out. de 2009

Eu já não sei

Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem


29 de out. de 2009

Diálogo

Para Luiz Arthur Nunes

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Eu estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: É.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.
B: Eu não sei. Por favor, não me confunda. No começo era claro. Tem alguma coisa atrás, você não vê?
A: Eu vejo. Eu quero.
B: O quê?
A: Que você seja meu companheiro.
B: Hein?
A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
B: Você disse?
A: Eu disse?
B: Não. Não foi assim: eu disse.
A: O quê?
B: Você é meu companheiro.
A: Hein?
(ad infinitum)

Caio Fernando Abreu



Myself

mais

soon

I

hope

Vou

thinking

(a.l.k.)

28 de out. de 2009

Zombie

Another head hangs lowly

Child is slowly taken
And the violence caused such silence
Who are we mistaken?

But you see, it's not me, it's not my family
In your head, in your head they are fighting
With their tanks and their bombs
And their bombs and their guns
In your head, in your head, they are crying...

In your head, in your head
Zombie, zombie, zombie hey, hey
What's in your head? In your head
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, oh, dou, dou, dou, dou, dou...

Another mother's breaking
Heart is taking over
When the violence causes silence
We must be mistaken

It's the same old theme since nineteen-sixteen
In your head, in your head they're still fighting
With their tanks and their bombs
And their bombs and their guns
In your head, in your head, they are dying...

In your head, in your head
Zombie, zombie, zombie
Hey, hey. What's in your head
In your head
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, hey, oh, ya, ya-a...

(Dolores O'Riordan)


Jay Brannan



17 de out. de 2009

Cornerstone

I thought I saw you in The Battleship
but it was only a look alike
She was nothing but a vision trick
under the warning light
She was close,
close enough to be your ghost
But my chances turned to toast
when I asked her if I could call her your name

I thought I saw you in The Rusty Hook,
huddled up in a wicker chair
I wandered over for a closer look
and kissed whoever was sitting there
She was close and she held me very tightly
until I asked awfully politely
"please can I call you her name?"

I elongated my lift home
I let him go the long way round
I smelt your scent on the seat belt
and kept my short cuts to myself

I thought I saw you in The Parrot's Beak
messing with the smoke alarm
It was too loud for me to hear her speak
and she had a broken arm
It was close,
so close that the walls were wet
And she wrote it out in Letraset
"No, you can't call me her name"

Tell me where's your hiding place
I'm worried I'll forget your face
And I've asked everyone
I'm beginning to think I imagined you all along

I elongated my lift home
I let him go the long way round
I smelt your scent on the seat belt
and kept my shortcuts to myself

I saw your sister in The Cornerstone
on the phone to the middle man
When I saw that she was on her own
I thought she might understand
She was close,
well you couldn't get much closer
She said "I'm really not supposed to but yes, you can call me anything you want"

(Alex Turner)

Arctic Monkeys

Velho arvoredo

Eu te esqueci muito cedo
Pelo tempo que passou
Tal como um velho arvoredo
Que o vento não derrubou
Tronco mudado em rochedo
Pedra transformada em flor
E eu fui ficando sozinho no pó do caminho
Me desenganando sofrendo e chorando
E mantendo em segredo
Essa minha ilusão
Que me escapou de entre os dedos
Pra não sei que outras mãos
E eu me tornei o arremedo
De tudo aquilo que eu não sou
Mas, eu jamais retrocedo o que passou, passou
Já superei mas, só eu sei, o mesmo eu jamais serei
Feito a madeira, o machado inclinando
Eu por fora estou cicatrizando
E por dentro sangrando
Afastado do medo mas sozinho
Tal como o velho arvoredo
Que não serve ao tempo nem ao lenhador
E o vento abandonou

(Hélio Delmiro - Paulo César Pinheiro)


27 de set. de 2009

Quem há de dizer

Quem há de dizer
Que quem você está vendo
Naquela mesa bebendo
É o meu querido amor
Repare bem que toda vez que ela fala
Ilumina mais a sala
Do que a luz de um refletor
O cabaré se inflama
Quando ela dança
E com a mesma esperança
Todos lhe põem o olhar
E eu, o dono,
Aqui no meu abandono
Espero louco de sono
O cabaré terminar
Rapaz! Leve essa mulher consigo
Disse uma vez um amigo
Quando nos viu conversar
Vocês se amam
E o amor deve ser sagrado
E o resto deixa de lado
Vá construir o teu lar
Palavra! Quase aceitei o conselho
O mundo, esse grande espelho
Que me fez pensar assim
Ela nasceu com o destino da lua
Pra todos que andam na rua
Não vai viver só pra mim

(Lupicínio Rodrigues / Alcides Gonçalves)

15 de set. de 2009

GAL COSTA - NOITES CARIOCAS (MINHAS NOITES SEM SONO) - (GAL TROPICAL MONTREUX - 1980)

ei que ao meu coração só lhe resta escolher
Os caminhos que a dor sutilmente traçou
Para lhe aprisionar
Nem lhe cabe sonhar com o que definhou
Vou me repreender pra não mais me envolver
Nessas tramas de amor
Eu bem sei que nós dois somos bem desiguais
Para que martelar, insistir, reprisar
Tanto faz, tanto fez
Eu por mim desisti, me cansei de fugir
Eu por mim decretei que fali, e daí?
Eu jurei para mim não botar nunca mais
Minhas mãos pelos pés
Mas que tanta mentira eu ando pregando
Supondo talvez me enganar
Mas que tanta crueza
Se em mim a certeza é maior do que tudo o que há
Todas as vezes que eu sonho
É você que me rouba a justeza do sono
É você quem invade bem sonso e covarde
As noites que eu tento dormir meio em paz
Sei que mais cedo ou mais tarde
Vou ter que expulsar todo o mal
Que você me rogou
Custe o que me custar
Vou desanuviar toda a dor que você me causou
Eu vou me redimir e existir, mas sem ter que ouvir
As mentiras mais loucas
Que alguém já pregou nesse mundo pra mim
Sei que mais cedo ou mais tarde
Vai ter um covarde pedindo perdão
Mas sei também que o meu coração
Não vai querer se curvar só de humilhação

(Hermínio Bello de Carvalho - Jacob do Bandolim)

13 de set. de 2009

10 de set. de 2009

Quando bate uma saudade

Vem
Quando bate uma saudade
Triste
Carregado de emoção
Ou aflito quando um beijo já não arde
No reverso inevitável da paixão
Quase sempre um coração amargurado
Pelo desprezo de alguém
É tocando pelas cordas de uma viola
É assim que um samba vem

Quando o poeta se encontra
Sozinho num canto qualquer do seu mundo
Vibram acordes, surgem imagens
Soam palavras, formam-se frases
Mágoas
Tudo passa com o tempo
Lágrimas
São as pedras preciosas da ilusão
Quando surge a luz da criação no pensamento
Ele trata com ternura o sofrimento
E afasta a solidão

(Paulinho da Viola)




Gal em "O sorriso do gato de Alice": MARAVILHA!!!!

4 de set. de 2009

Modinha

Não, não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Não, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia emoção
Que chora dentro do meu coração

(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

31 de ago. de 2009

Mambembe

No palco, na praça, no circo, num banco de jardim,
correndo no escuro, pichado no muro
você vai saber de mim,
Mambembe, cigano,
debaixo da ponte, cantando,
por baixo da terra, cantando,
na boca do povo, cantando.

Mendigo, malandro, moleque, molambo, bem ou mal,
escravo fugido ou louco varrido
vou fazer meu festival,
Mambembe, cigano,
debaixo da ponte, cantando,
por baixo da terra, cantando,
na boca do povo, cantando.

Poeta, palhaço, pirata, corisco, errante judeu,
dormindo na estrada, não é nada, não é nada
e esse mundo é todo meu,
Mambembe, cigano,
debaixo da ponte, cantando,
por baixo da terra, cantando,
na boca do povo, cantando.

(Chico Buarque)


30 de ago. de 2009

Ela faz cinema

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

(Chico Buarque)


Você não serve pra mim

Não fique triste, não se zangue
Com tudo que eu vou lhe falar
Sinto demais , porém agora
Tenho que lhe explicar
Você comigo não combina
Não adianta nem tentar
Não vejo mais razão nenhuma
Pra continuar
Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você não serve pra mim
Não serve pra mim
Uma palavra de carinho
Jamais ouvi você falar
Seu beijo tão indiferente
Foi o que me fez pensar
No tempo que eu estou perdendo
No amor que eu tenho pra dar
Deve existir alguém querendo
O que você não quis ligar
Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você não serve pra mim
Não serve pra mim
Pode ser que alguém lhe queira
Dar um grande amor
Quero que você seja feliz com
Outro alguém
Porque eu não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você não serve pra mim
Não serve pra mim

(Renato Barros)


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