13 de set. de 2007

God bless the child

Them thats got shall get
Them thats not shall lose
So the Bible said and it still is news
Mama may have, papa may have
But God bless the child thats got his own
Thats got his own

Yes, the strong gets more
While the weak ones fade
Empty pockets dont ever make the grade
Mama may have, papa may have
But God bless the child thats got his own
Thats got his own

Money, youve got lots of friends
Crowding round the door
When youre gone, spending ends
They dont come no more
Rich relations give
Crust of bread and such
You can help yourself
But dont take too much
Mama may have, papa may have
But God bless the child thats got his own
Thats got his own

Mama may have, papa may have
But God bless the child thats got his own
Thats got his own
He just worry bout nothin
Cause hes got his own

(Billie Holiday / Arthur Herzog Jr.)

7 de set. de 2007

Asas

Suas asas
Amor
Quem deu fui eu
Para ver
Você conquistar o céu.

Observe tudo embaixo ser
Menor do que
Você,
Como tudo é,

E enquanto arde a coragem dos desejos seus,
Sem véus,
[proteus]

Abra seus poros e papilas e pupilas
À luz da manhã

E muito acima de ipanema tão pequena
Tão vã

Viva o prazer
O som o estrondo de uma onda
Na arrebentação

Enquanto eu piro á sua espera na esfera
Do chão.


(Adriana Calcanhotto)

Muito romântico

Não tenho nada com isso
Nem vem falar
Eu não consigo entender
Sua lógica

Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parece ser exótica

Mas acontece que não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar ou lembrar
Do muito ou pouco que houve entre você e eu

Nem uma força vira me fazer calar
Faço no tempo soar minha silaba

Canto somente o que pede pra si cantar
Sou o que soa eu não doura pílula

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo mundo podendo brilhar num cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico

(Caetano Veloso)

6 de set. de 2007

Janeiros

É como o vento leve
Em seu lábio a assobiar
A melodia breve
Lembrando brisa de mar

Mexendo maré num vai-e-vem
Pra se ofertar
Flor que quer desabrochar
Nasceu dourando manhã

Bordando areia
Com luz de candeia pra nunca se apagar

Já passaram dias inteiros
Janeiros
Calendário que nunca chega ao fim
Início sim
E só recomeçar

Bordando areia
Com luz de candeia pra nunca se apagar
E iluminar
Bordando areia
Com luz de candeia pra nunca se apagar

(Pedro Luis e Roberta Sá)

1 de set. de 2007

Sou Seu Sabiá

Se o mundo for desabar sobre a sua cama
E o medo se aconchegar sob o seu lençol
E se você sem dormir
Tremer ao nascer do sol
Escute a voz de quem ama
Ela chega aí

Você pode estar tristíssimo no seu quarto
Que eu sempre terei meu jeito de consolar
É só ter alma de ouvir
E coração de escutar
Eu nunca me farto do uníssono com a vida

Eu sou
Sou seu sabiá
Não importa onde for
Vou te catar
Te vou cantar
Te vou, te vou, te dou, te vou te dar, te dar, te dar...

Eu sou
Sou seu sabiá
O que eu tenho eu te dou
Que tenho a dar?
Só tenho a voz
Cantar, cantar, cantar, cantar, cantar...

(Caetano Veloso)

30 de ago. de 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado



Meia boca...

Saneamento Básico, O Filme




Triiii legal! Bom demais!!! :-))

Fogueira

Por que queimar minha fogueira
e destruir a companheira?
Porque sangrar o meu amor assim?
Não penses ter a vida inteira
para esconder teu coração
Mais breve que o tempo passa
vem num galope meu perdão
Deixa eu cantar
aquela velha história, amor
Deixa eu penar
a liberdade está na dor
Porque temer a tua fêmea
se a possuis como ninguém
A cada bem do mal do amor em mim?
Não penses ter a vida inteira
para roubar meu coração
Pois cada vez é a primeira
do teu também serás ladrão
Deixa eu cantar
aquela velha história, amor
Deixa eu penar
a liberdade está na dor
Eu vivo a vida, a vida inteira
a descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
para guiar meu coração
Eu sei que a vida é passageira
mas o amor que eu tenho, não!
Quero ofertar
a minha outra face à dor
Deixa eu sonhar
com tua outra face amor.

(Ângela Ro Ro)

Samba e amor

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu corbertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã

(Chico Buarque)
1969

Haicai

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

Haiku

Old pond...
a frog leaps in
water's sound.

Matsuo Basho

29 de ago. de 2007

O Ultimato Bourne (29.08.07)






Excelente!!!

28 de ago. de 2007

Samba de um minuto

Devagar... esquece o tempo lá de fora
Devagar... esqueça a rima que for cara.

Escute o que vou lhe dizer,
Um minuto de sua atenção:
Com minha dor não se brinca, já disse que não
Com minha dor não se brinca, já disse que não.

Devagar
Devagar com o andor
Teu santo é de barro
E a fonte secou.

Já não tens tanta verdades pra dizer
Nem tampouco mais maldades pra fazer
E se a dor é de saudade
E a saudade é de matar
Em meu peito a novidade
Vai enfim me libertar.

Devagaaaaaaaaar...

(Rodrigo Maranhão )


SALVE, ROBERTA SÁ!

25 de ago. de 2007

CARTAS A UM JOVEM POETA

"PRIMEIRA CARTA"



" Paris, 17 de Fevereiro de 1903


Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, - seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com maior clareza no último poema, "Minha Alma". Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema "A Leopardi" talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos, sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo - peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:"Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.

(Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Hoaracek; guardo por esse amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke"



Esta Primeira Carta do livro "Cartas a um jovem poeta",
foi traduzida por Cecília Meireles, retirados da edição :
"Cartas a um jovem poeta e Canção de Amor e morte
do porta-estandarte Cristovão Rilke", Editora Globo, 1983.

24 de ago. de 2007

Sol negro

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