30 de ago. de 2008

A Kiss To Build a Dream On

Gimme a kiss to build a dream on
And my imagination
Will thrive upon that kiss
Sweetheart, i ask no more than this
A kiss to build a dream on

Give me a kiss before you leave me
And my imagination
Will feed my hungry heart
Leave me one thing before we part
A kiss to build a dream on

When i'm alone with my fancies
I'll be with you
Weaving romances
Making believe they're true

Oh, gimme your lips for just a moment
And my imagination
Will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on

Gimme a kiss to build a dream on
And my imagination
Will thrive upon that kiss
Sweetheart, i ask no more than this
A kiss to build a dream on


When i'm alone with my fancies
I'll be with you
Weaving romances
Making believe they're true

Oh, gimme your lips for just a moment
And my imagination
Will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on

(Bert Kalmar, Harry Ruby and Oscar Hammerstein II)

Dream A Little Dream Of Me

Stars shining bright above you
Night breezes seem to whisper "I love you"
Birds singing in the sycamore tree
Dream a little dream of me

Say "Night-ie night" and kiss me
Just hold me tight and tell me you'll miss me
While I'm alone and blue as can be
Dream a little dream of me

Stars fading but I linger on, dear
Still craving your kiss
I'm longing to linger till dawn, dear
Just saying this

Sweet dreams till sunbeams find you
Sweet dreams that leave all worries behind you
But in your dreams whatever they be
Dream a little dream of me

(Wilbur Schwandt and Fabian Andree / Gus Kahn)

28 de ago. de 2008

De manhã

É de manhã
É de madrugada
É de manhã
Não sei mais de nada
É de manhã
Vou ver meu amor
É de manhã
Vou ver minha amada
É de manhã
Flor da madrugada
É de manhã
Vou ver minha flor

Vou pela estrada
E cada estrela é uma flor
Mas a flor amada
É mais que a madrugada
E foi por ela
Que o galo cocorocô

(Caetano Veloso)

Pessoas invisíveis

Ouvi há algum tempo, nem lembro de quem nem onde, a expressão “pessoas invisíveis” aplicada àquelas pessoas que tão comumente vemos pedindo e vendendo coisas pelas ruas. Sim, “invisíveis”. Desvia-se delas como se ali não estivessem, como um mero obstáculo, um objeto, uma coisa. É certo que se formos parar e dar atenção ou dinheiro para todas que encontramos no caminho a coisa fica inviável. No entanto, além do dinheiro, pra fins diversos, seja realmente para comer, para comprar remédio, ou para um fim menos nobre, talvez essas pessoas queiram simplesmente atenção. Alguém que as veja e ouça, que as conforte.

Hoje, um guri no ponto de ônibus, com vinte anos ou menos, pediu moedas, segundo ele para comer. Creio que realmente fosse. Ele era bonito, loiro, dentes perfeitos, mal vestido, meio sujo, com roupas que certamente já tinham sido de outra pessoa. Como não é incomum notar nas pessoas que pedem, ele tinha um olhar triste e subserviente, o que muitas vezes não passa de mera encenação; entretanto, senti que não era e dei a moeda. Ele começou a falar algo, meio a chorar, eu continuei no meu mundo, na música que eu ouvia, mal lhe prestei atenção. Ele agradeceu e se foi. Talvez ele quisesse ser ouvido, visto. Talvez não ser invisível fosse mais importante do que receber um real. Enfim, pensei que poderia ter prestado atenção no que ele queria dizer, coisa que ninguém no ponto de ônibus fez, tampouco deu dinheiro, e nisso penso também que melhor do ter dado dinheiro seria ter comprado um lanche pra ele.

Mas novamente isso se tornaria inviável, haja vista o imenso número de pessoas na mesma situação. Às vezes em certos lugares é impossível andar cem metros sem ser abordado. Essas situações, sempre constrangedoras, detonam uma carga reflexiva imensa: esmola não resolve, quem pede pode estar agindo de má fé. Esmola não resolve a situação da pessoa, mas é um paliativo importante para quem tem fome... Qual a solução? Uma delas seria tornar essas pessoas visíveis. Visíveis cada uma e todas. Contudo, como fazer isso com tranqüilidade quando se teme ser assaltado ou enganado? Intuição não basta. E instituição?

(a.l.k.)

20 de ago. de 2008

Mortes múltiplas

Tantas idéias: Mortes múltiplas. Sentimentos do avesso e tortos num terremoto devastador. Mil e uma vezes o gosto do sangue na boca e o desejo de que ele se esvaísse até a derradeira gota, inconsciente e adormecida, finda e calma.. Sem precisão. E precisamente alguma coisa. Algo que nunca forafui e agora é desvivendo. Só assim é. Assim é só. Só é assim. Só. Sempre. Só. Inconsciente, adormecido, calmo, findo. Vidas múltiplas na morte sem fim.

(a.l.k.)

Seu espião

Ver você dormir
Me corta o coração
Se o seu sorriso
É sonho ou traição
O que você sonhou
Eu nunca vou saber
Me dá uma pista
Que eu possa percorrer
Não que eu seja ciumento
É apenas precaução
Quando você acordar
E não puder lembrar
O que sentiu
Será que não mentiu pra mim
Quantos beijos de amor
Você pode sonhar
Em mil histórias
Onde eu não posso entrar
Deixa eu ler seu pensamento
Deixa eu ser seu espião
Deixa eu ser seu espião
Alguém tem que controlar o seu coração
Deixa eu ser seu espião
Alguém tem que controlar o seu coração
Deixa eu ser seu espião
Alguém tem que controlar o seu coração
Deixa eu ser seu espião
Alguém tem que controlar o seu coração

(Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna)

Por que não eu?

Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei

Quando ela insiste em beijar seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço

Por que não eu?
Por que não eu?
Por que não eu?
Por que não eu?

Eu encomendo um jantar
Só pra nós dois
Se não tem nada depois
Então por que não eu?

Você tá nessa rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo: por que não?

Por que não eu?
Por que não eu?
Por que não eu?
Por que não eu?

(Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna)

19 de ago. de 2008

Pressentimento

Ai! Ardido peito
Quem irá entender o teu segredo?
Quem irá pousar em teu destino
E depois morrer do teu amor?

Ai! Mas quem virá?
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada

Vem, meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando o meu abrigo

Vem, que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que este é o tempo ansiado
De ser ter felicidade

(Elton Medeiros / Hermínio Bello de Carvalho)




Alcione e Elton Medeiros




Marília Medalha

18 de ago. de 2008

Um Ser de Luz

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
E a gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá, até um dia

(João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)

16 de ago. de 2008

É doce morrer no mar

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi prá mim

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

(Dorival Caymmi)

Chão de giz

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...

(Zé Ramalho)

Outras Palavras

Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras

Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras

Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras

Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras

Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras

(Caetano Veloso)

14 de ago. de 2008

Medalha de São Jorge

Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebranto de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão

(Moacyr Luz e Aldir Blanc)

Can't Take My Eyes Off Of You

You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off of you

Pardon the way that I stare,
there's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak
there are no words left to speak
But if you feel like I feel,
please let me know that it's real
You're just too good to be true,
can't take my eyes off of you

I love you baby and if it's quite all right,
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby trust in me when I say
Oh pretty baby don't bring me down I pray
Oh pretty baby now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you

You're just too good to be true
can't take my eyes off of you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
and I thank God I'm alive
You're just too good to be true
can't take my eyes off of you

I love you baby and if it's quite all right,
I need you baby to warm the lonely night
I love you baby trust in me when I say
Oh pretty baby don't bring me down I pray
Oh pretty baby now that I found you, stay
And let me love you baby, let me love you

(Frankie Valli And The Four Seasons)

8 de ago. de 2008

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
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